XVI

By Cláudio Manuel da Costa

Toda a mortal fadiga adormecia

No silêncio, que a noite convidava;

Nada o sono suavíssimo alterava

Na muda confusão da sombra fria:

Só Fido, que de amor por Lise ardia,

No sossego maior não repousava;

Sentindo o mal, com lágrimas culpava

A sorte; porque dela se partia.

Vê Fido, que o seu bem lhe nega a sorte;

Querer enternecê-la é inútil arte;

Fazer o que ela quer, é rigor forte:

Mas de modo entre as penas se reparte;

Que à Lise rende a alma, a vida à morte:

Por que uma parte alente a outra parte.