XVI

By Delminda Silveira de Sousa

De negro crepe funeral cortina

Cobre do azul a mística pureza;

Do sol desmaia a lúcida beleza,

Envolta em luto a face peregrina.

Lá no Calvário, a multidão felina

De pavor um momento fica presa;

Silêncio!... Trevas!... Pasma a Natureza...

Jesus a fronte dolorida inclina.

— “Meu Deus! Meu Deus! — por que me desamparas?...”

Disse, e do fel as gotas mais amaras

Molham-lhe a boca sequiosa, pura.

Então, volvendo os olhos ao Infinito:

— “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”

Na dor final terníssimo murmura!