XVII

By Cláudio Manuel da Costa

Deixa, que por um pouco aquele monte

Escute a glória, que a meu peito assiste:

Porque nem sempre lastimoso, e triste

Hei de chorar à margem desta fonte.

Agora, que nem sombra há no horizonte,

Nem o álamo ao zéfiro resiste,

Aquela hora ditosa, em que me viste

Na posse de meu bem, deixa, que conte.

Mas que modo, que acento, que harmonia

Bastante pode ser, gentil pastora,

Para explicar afetos de alegria!

Que hei de dizer, se esta alma, que te adora,

Só costumada às vozes da agonia,

A frase do prazer ainda ignora!