XVII

By Gonçalves de Magalhães

A vida é plácida e bela

Para quem a não conhece,

E na cândida inocência

Qual puro jasmim floresce.

É uma aurora rosada,

Um sonho delicioso,

Para quem o arcano ignora

Deste mundo caviloso.

É um mel suave e grato

Para quem no lar paterno,

Co’a bênção dos seus maiores,

Recebe a bênção do Eterno.

É um celeste tesouro

Para a tenra criatura,

Que vive como tu vives,

Vida dos Anjos tão pura.

Só vive assim a inocência

De Deus amada e querida!

Oh inocência! perfume!

Oh doce orvalho da vida!

Filha de pais virtuosos,

Luminosa é tua estrela!

Vive para ornar o mundo,

Feliz, inocente e bela.