XVIII

By Cláudio Manuel da Costa

Aquela cinta azul, que o céu estende

A nossa mão esquerda, aquele grito,

Com que está toda a noite o corvo aflito

Dizendo um não sei quê, que não se entende;

Levantar me de um sonho, quando atende

O meu ouvido um mísero conflito,

A tempo, que o voraz lobo maldito

A minha ovelha mais mimosa ofende;

Encontrar a dormir tão preguiçoso

Melampo, o meu fiel, que na manada

Sempre desperto está, sempre ansioso;

Ah! queira Deus, que minta a sorte irada:

Mas de tão triste agouro cuidadoso

Só me lembro de Nise, e de mais nada.