XX

By Cláudio Manuel da Costa

Ai de mim! como estou tão descuidado!

Como do meu rebanho assim me esqueço,

Que vendo o trasmalhar no mato espesso,

Em lugar de o tornar, fico pasmado!

Ouço o rumor que faz desaforado

O lobo nos redis; ouço o sucesso

Da ovelha, do pastor; e desconheço

Não menos, do que ao dono, o mesmo gado:

Da fonte dos meus olhos nunca enxuta

A corrente fatal, fico indeciso,

Ao ver, quanto em meu dano se executa.

Um pouco apenas meu pesar suavizo,

Quando nas serras o meu mal se escuta;

Que triste alívio! ah infeliz Daliso!