XXII

By Cláudio Manuel da Costa

Neste álamo sombrio, aonde a escura

Noite produz a imagem do segredo;

Em que apenas distingue o próprio medo

Do feio assombro a hórrida figura;

Aqui, onde não geme, nem murmura

Zéfiro brando em fúnebre arvoredo,

Sentado sabre o tosco de um penedo

Chorava Fido a sua desventura.

As lágrimas a penha enternecida

Um rio fecundou, donde manava

D’ânsia mortal a cópia derretida:

A natureza em ambos se mudava;

Abalava-se a penha comovida;

Fido, estátua da dor, se congelava.