XXIII

By Luís Nicolau Fagundes Varela

Segundo a era nova que seguimos,

Onze meses e dias vinte e quatro

Tinha marcado no quadrante imenso

O flamejante sol, desde o momento

Em que o santo enviado anunciara

A glória de Maria; seis jornadas,

Seis jornadas apenas, esperava

A mão cruel e rábida do tempo

Para a lousa abaixar do ano extinto,

Plantar um novo marco!... — Ingente marco!

Padrão sagrado! Hão de passar os séculos,

Hão de perder-se as gerações futuras

Do esquecimento nos profundos mares;

Há de abalar-se o globo nos seus eixos,

Sacudindo os colossos de granito

E os mausoléus das dinastias todas,

E os povos e as nações! Um outro mundo

O Senhor criará!... Mas, sobranceiro

Ao tempo, ao mundo, e aos povos, — os felizes

Desse mundo melhor hão de saudar-te

— Padrão da eternidade! E penetrados

De respeito e de amor, dirão piedosos:

— Até ali a sombra, a barbaria,

E dali até nós a luz, a glória!