XXIII
Segundo a era nova que seguimos,
Onze meses e dias vinte e quatro
Tinha marcado no quadrante imenso
O flamejante sol, desde o momento
Em que o santo enviado anunciara
A glória de Maria; seis jornadas,
Seis jornadas apenas, esperava
A mão cruel e rábida do tempo
Para a lousa abaixar do ano extinto,
Plantar um novo marco!... — Ingente marco!
Padrão sagrado! Hão de passar os séculos,
Hão de perder-se as gerações futuras
Do esquecimento nos profundos mares;
Há de abalar-se o globo nos seus eixos,
Sacudindo os colossos de granito
E os mausoléus das dinastias todas,
E os povos e as nações! Um outro mundo
O Senhor criará!... Mas, sobranceiro
Ao tempo, ao mundo, e aos povos, — os felizes
Desse mundo melhor hão de saudar-te
— Padrão da eternidade! E penetrados
De respeito e de amor, dirão piedosos:
— Até ali a sombra, a barbaria,
E dali até nós a luz, a glória!