XXVI

By Cláudio Manuel da Costa

Não vês, Nise, este vento desabrido,

Que arranca os duros troncos? Não vês esta,

Que vem cobrindo o céu, sombra funesta,

Entre o horror de um relâmpago incendido?

Não vês a cada instante o ar partido

Dessas linhas de fogo? Tudo cresta,

Tudo consome, tudo arrasa, e infesta,

O raio a cada instante despedido.

Ah! não temas o estrago, que ameaça

A tormenta fatal; que o Céu destina

Vejas mais feia, mais cruel desgraça:

Rasga o meu peito, já que és tão ferina;

Verás a tempestade, que em mim passa;

Conhecerás então, o que é ruína.