XXVII

By Cláudio Manuel da Costa

Apressa-se a tocar o caminhante

O pouso, que lhe marca a luz do dia;

E da sua esperança se confia,

Que chegue a entrar no porto o navegante;

Nem aquele sem termo passa avante

Na longa, duvidosa e incerta via;

Nem este atravessando a região fria

Vai levando sem rumo o curso errante:

Depois que um breve tempo houver passado,

Um se verá sobre a segura areia,

Chegará o outro ao sítio desejado:

Eu só, tendo de penas a alma cheia,

Não tenho, que esperar; que o meu cuidado

Faz, que gire sem norte a minha idéia.