XXVIII
Belém... Onde Belém? Quais os caminhos?
Quais os guias seguros? Quem pudera
Nessas horas caladas ensinar-lhes
Da romaria o norte? Quantos povos
Bárbaros de permeio, ou quanto tempo
De penosas jornadas e labores?
Depois quais os sinais? Quais os indícios,
E o nome do que buscam? Como achá-lo?
Em vão tentavam, ponderando o caso,
Resolver estas dúvidas tremendas.
Nada explicara o mensageiro augusto,
Nenhum rumo apontara, de que modo
Obedecer às ordens soberanas?
Porém — milagre!... nos sidéreos climas
Uma formosa estrela, nunca vista
Nas eras que passaram, fulgurante
Apareceu de súbito, inundando
O rio, os campos, os vergéis frondosos,
Os extensos jardins, e os elevados
Coruchéus dos palácios, da mais pura,
Da mais serena luz, que haja caído
Das empíreas alturas! Tristes, pálidas,
As mil constelações se tresmalharam
Quais errantes lucíolas: a láctea
Banda que o firmamento em dois divide,
Como um cinto de frágeis filigranas
Na vastidão perdeu-se! Os grandes lagos,
Os tanques primorosos, as colinas
Coroadas de vinhas e oliveiras,
Transformaram-se em mares encantados,
Ilhas de nácar, mágicos pomares,
Grutas de fadas e amorosos gênios.