XXVIII

By Luís Nicolau Fagundes Varela

Belém... Onde Belém? Quais os caminhos?

Quais os guias seguros? Quem pudera

Nessas horas caladas ensinar-lhes

Da romaria o norte? Quantos povos

Bárbaros de permeio, ou quanto tempo

De penosas jornadas e labores?

Depois quais os sinais? Quais os indícios,

E o nome do que buscam? Como achá-lo?

Em vão tentavam, ponderando o caso,

Resolver estas dúvidas tremendas.

Nada explicara o mensageiro augusto,

Nenhum rumo apontara, de que modo

Obedecer às ordens soberanas?

Porém — milagre!... nos sidéreos climas

Uma formosa estrela, nunca vista

Nas eras que passaram, fulgurante

Apareceu de súbito, inundando

O rio, os campos, os vergéis frondosos,

Os extensos jardins, e os elevados

Coruchéus dos palácios, da mais pura,

Da mais serena luz, que haja caído

Das empíreas alturas! Tristes, pálidas,

As mil constelações se tresmalharam

Quais errantes lucíolas: a láctea

Banda que o firmamento em dois divide,

Como um cinto de frágeis filigranas

Na vastidão perdeu-se! Os grandes lagos,

Os tanques primorosos, as colinas

Coroadas de vinhas e oliveiras,

Transformaram-se em mares encantados,

Ilhas de nácar, mágicos pomares,

Grutas de fadas e amorosos gênios.