XXX

By Gonçalves de Magalhães

Bem quisera, oh bela virgem,

Hoje extrair de meu peito

Algum suave perfume,

Em sinal do meu respeito.

Quisera na minha lira

Cadenciar algum hino,

Com que louvasse os encantos

Desse teu rosto divino.

Mas temo, temo que o peito,

De gemer já fatigado,

Em vez de cantar, exale

Um suspiro magoado.

Ah! temo, temo, acredita,

Que a minha fúnebre lira,

Em vez de entoar um hino,

Só triste nênia desfira.

Ah! tu cuidas, bela virgem,

Que é feliz todo o vivente?

Inda estás no albor da vida,

Tens uma alma inda inocente.

Não; tu me vês peregrino,

Errando de terra em terra:

Mas, oh virgem, tu não sabes

Que dor o meu peito encerra.