XXX

By Luís Nicolau Fagundes Varela

As horas passam como alados gênios.

O deserto medonho se ilumina

De rutilantes fogos; as montanhas

Aplainadas, transformam-se em caminhos

Orlados de jasmins e heliotrópios,

Lírios e rosas, dálias e tulipas.

Os rouxinóis despertos preludiam

Suavíssimos cantos; a floresta,

O campo, a fonte, o rio, a sarça, a relva,

O pequenino inseto que se aninha

No seio de uma flor, tremem, tocados

Pelo sopro de Deus! Hinos celestes,

Melodiosos cânticos, percorrem,

Nas asas leves de chorosas brisas,

A vastidão dos ares, e... lá em cima,

Lá em cima, além das nuvens e dos astros,

Abrem-se do Infinito os santuários,

E os querubins de alvíssimas roupagens

Junto ao trono do Eterno se debruçam,

Derramando felizes sobre o mundo

Um dilúvio de flores — Glória! Glória!

Glória ao Senhor supremo nas alturas,

E paz aos homens sobre a terra! — cantam

Ao inefável som de etéreas harpas.