XXX
As horas passam como alados gênios.
O deserto medonho se ilumina
De rutilantes fogos; as montanhas
Aplainadas, transformam-se em caminhos
Orlados de jasmins e heliotrópios,
Lírios e rosas, dálias e tulipas.
Os rouxinóis despertos preludiam
Suavíssimos cantos; a floresta,
O campo, a fonte, o rio, a sarça, a relva,
O pequenino inseto que se aninha
No seio de uma flor, tremem, tocados
Pelo sopro de Deus! Hinos celestes,
Melodiosos cânticos, percorrem,
Nas asas leves de chorosas brisas,
A vastidão dos ares, e... lá em cima,
Lá em cima, além das nuvens e dos astros,
Abrem-se do Infinito os santuários,
E os querubins de alvíssimas roupagens
Junto ao trono do Eterno se debruçam,
Derramando felizes sobre o mundo
Um dilúvio de flores — Glória! Glória!
Glória ao Senhor supremo nas alturas,
E paz aos homens sobre a terra! — cantam
Ao inefável som de etéreas harpas.