XXXI
A luz tudo avassala. A festa imensa
Da natureza nessa noite santa
Dá vida às soledades; mas, ao longe,
Das bandas do Ocidente, em nuvem negra,
Um turbilhão de espectros macilentos,
Cobertos de farrapos purpurinos,
Lentamente atravessa o céu sereno;
Sibila o vento, e as ondas agitadas
Atiram contra a sombra que projetam
A baba salitrosa. Um grande brado
De polo a polo faz-se ouvir; — são mortos!...
São mortos os mil deuses, — é nascido
O Filho de um só Deus! — E lentamente
Desaparece a nuvem tenebrosa.