XXXII

By Cláudio Manuel da Costa

Se os poucos dias, que vivi contente,

Foram bastantes para o meu cuidado,

Que pode vir a um pobre desgraçado,

Que a idéia de seu mal não acrescente!

Aquele mesmo bem, que me consente,

Talvez propício, meu tirano fado,

Esse mesmo me diz, que o meu estado

Se há de mudar em outro diferente.

Leve pois a fortuna os seus favores;

Eu os desprezo já; porque é loucura

Comprar a tanto preço as minhas dores:

Se quer, que me não queixe, a sorte escura,

Ou saiba ser mais firme nos rigores,

Ou saiba ser constante na brandura.