XXXII
Jubilosos, porém, cientes e firmes,
Fitos os olhos na propícia estrela,
Os três magos caminham pelos ermos,
Voam as horas; as manhãs e as noites
Em celeste consórcio se confundem:
À voz do Eterno estreitam-se as distâncias,
E chegam sem cansaço à nobre, à antiga,
Real Jerusalém. Seu grito estranho,
Seus estranhos vestidos e seus modos,
Dão pasto ao ócio e ao gênio curioso
De um povo estulto e vão. — D’onde vieram
Estes homens tisnados? Que procuram?
Trazem felicidade, ou semelhantes
Aos pássaros sinistros, pressagiam
Desgraças, infortúnios? — A notícia
Chega aos ouvidos do vaidoso Herodes,
Rei, então, e senhor. Chama-os e indaga:
— De que terra saístes? Que negócio
Vos traz aqui? — Partimos do Oriente,
Os Magos lhe respondem, — habitamos
Além do Eufrates e do Tigre, e somos
Senhores, como vós, em nossos reinos.
Procuramos o pouso abençoado,
Onde o Rei dos judeus, recém-nascido,
Descansa agora: se o sabeis, dizei-nos;
Se não, deixai-nos ir, que sua estrela
Nos clareia o caminho. Isto escutando
Turba-se Herodes, seus ministros chama,
Convoca os anciãos, consulta augúrios,
Faz estudar das aves as entranhas,
As águas dos arroios, e a fumaça
Das ardentes fogueiras. Os prudentes
Anciãos venerandos lhe repetem
Dos antigos profetas as palavras:
— Está escrito, dizem-lhe, que o Cristo
Em Belém nascerá, — estais contente?
— Ide! — Herodes exclama, ide depressa,
Buscai o rei anunciado, e quando
Souberdes o lugar onde se abriga,
Vinde dizer-mo: pequenina oferta
Quero também depor junto a seu berço;
Ide depressa, os deuses vos protejam.