XXXII

By Luís Nicolau Fagundes Varela

Jubilosos, porém, cientes e firmes,

Fitos os olhos na propícia estrela,

Os três magos caminham pelos ermos,

Voam as horas; as manhãs e as noites

Em celeste consórcio se confundem:

À voz do Eterno estreitam-se as distâncias,

E chegam sem cansaço à nobre, à antiga,

Real Jerusalém. Seu grito estranho,

Seus estranhos vestidos e seus modos,

Dão pasto ao ócio e ao gênio curioso

De um povo estulto e vão. — D’onde vieram

Estes homens tisnados? Que procuram?

Trazem felicidade, ou semelhantes

Aos pássaros sinistros, pressagiam

Desgraças, infortúnios? — A notícia

Chega aos ouvidos do vaidoso Herodes,

Rei, então, e senhor. Chama-os e indaga:

— De que terra saístes? Que negócio

Vos traz aqui? — Partimos do Oriente,

Os Magos lhe respondem, — habitamos

Além do Eufrates e do Tigre, e somos

Senhores, como vós, em nossos reinos.

Procuramos o pouso abençoado,

Onde o Rei dos judeus, recém-nascido,

Descansa agora: se o sabeis, dizei-nos;

Se não, deixai-nos ir, que sua estrela

Nos clareia o caminho. Isto escutando

Turba-se Herodes, seus ministros chama,

Convoca os anciãos, consulta augúrios,

Faz estudar das aves as entranhas,

As águas dos arroios, e a fumaça

Das ardentes fogueiras. Os prudentes

Anciãos venerandos lhe repetem

Dos antigos profetas as palavras:

— Está escrito, dizem-lhe, que o Cristo

Em Belém nascerá, — estais contente?

— Ide! — Herodes exclama, ide depressa,

Buscai o rei anunciado, e quando

Souberdes o lugar onde se abriga,

Vinde dizer-mo: pequenina oferta

Quero também depor junto a seu berço;

Ide depressa, os deuses vos protejam.