XXXIV

By Cláudio Manuel da Costa

Que feliz fora o mundo, se perdida

A lembrança de amor, de amor a glória,

Igualmente dos gostos a memória

Ficasse para sempre consumida!

Mas a pena mais triste, e mais crescida

É ver; que em nenhum tempo é transitória

Esta de amor fantástica vitória,

Que sempre na lembrança é repetida.

Amantes, os que ardeis nesse cuidado,

Fugi de amor ao venenoso intento,

Que lá para o depois vos tem guardado.

Não vos engane o infiel contentamento;

Que esse presente bem, quando passado,

Sobrará para idéia do tormento.