XXXIX

By Cláudio Manuel da Costa

Breves horas, Amor, há, que eu gozava

A glória, que minha alma apetecia;

E sem desconfiar da aleivosia,

Teu lisonjeiro obséquio acreditava.

Eu só à minha dita me igualava;

Pois assim avultava, assim crescia,

Que nas cenas, que então me oferecia,

O maior gosto, o maior bem lograva;

Fugiu, faltou-me o bem: já descomposta

Da vaidade a brilhante arquitetura,

Vê-se a ruína ao desengano exposta:

Que ligeira acabou, que mal segura!

Mas que venho a estranhar, se estava posta

Minha esperança em mãos da formosura!