XXXV

By Cláudio Manuel da Costa

Aquele, que enfermou de desgraçado,

Não espere encontrar ventura alguma:

Que o Céu ninguém consente, que presuma,

Que possa dominar seu duro fado.

Por mais, que gire o espírito cansado

Atrás de algum prazer, por mais em suma,

Que porfie, trabalhe, e se consuma,

Mudança não verá do triste estado.

Não basta algum valor, arte, ou engenho

A suspender o ardor, com que se move

A infausta roda do fatal despenho:

E bem que o peito humano as forças prove,

Que há de fazer o temerário empenho,

Onde o raio é do Céu, a mão de Jove.