XXXV

By Gonçalves de Magalhães

Experiência! Médico tardio,

Tua voz útil fora, se mais cedo

Em nossa alma soasse!

De tropeço em tropeço vai-se a vida,

Como o rio entre seixos se despenha;

Nada o curso lhe tolhe.

Das paixões o marulho estrepitoso,

Como o som da cascata caudalosa,

Cobre, abafa teu eco.

Em jogo pueril, vendando os olhos,

O infante, na planice, embalde ensaia

Da estrada andar em meio.

Ângulos forma; alfim se esbarra a um tronco;

Assim andamos nós olhivendados

Pela estrada da vida!

Cai-nos a venda do barranco às bordas,

Quando nas suas lúbricas crateras

Já nossos pés deslizam.

Vem a velhice, que melhor te escuta,

Refletimos então; porém que importa!

O tempo é já passado!

Do que serve ao cadáver o remédio?

Um mestre ao moribundo? um guia àquele,

Que marcha ao cemitério?