XXXVI

By Cláudio Manuel da Costa

Estes braços, Amor, com quanta glória

Foram trono feliz na formosura!

Mas este coração com que ternura

Hoje chora infeliz esta memória!

Quanto vês, é troféu de uma vitória,

Que o destino em seu templo dependura:

De uma dor esta estampa é só figura,

Na fé oculta, no pesar notória.

Saiba o mundo de teu funesto enredo;

Por que desde hoje um coração amante

De adorar teus altares tenha medo:

Mas que empreendo, se ao passo, que constante

Vou a romper a fé do meu segredo,

Não há, quem acredite um delirante!