XXXVII
Prostremo-nos! — bradaram, e adoremos
Do Rei dos reis o sacrossanto Filho!
Louvemos o Senhor que nossa vida
Encheu de glórias, e espancou as sombras
Dos erros infernais que nos cercavam!
Glória ao único Deus, onipotente!
E abrem os cofres recheados de ouro,
Que aos pés colocam da criança augusta.
Derramam das navetas primorosas
Sobre o fogo vivaz o incenso e a mirra;
Lançam por terra os mantos e os adornos,
Curvam-se e adoram cheios de humildade
O filho de Maria. Os pegureiros
E os rudes camponeses que cercavam
A negra estala do divino Infante,
Como se a voz de Deus soasse perto,
Ajoelham-se trêmulos e entoam
Religiosos cantos — Ah! não foram
Os sátrapas das cortes do Oriente,
Cobertos de veludo e finas sedas,
Nem do Ocidente os príncipes soberbos
Seguidos de pomposa comitiva,
Os que desceram de seus áureos paços,
E saudaram de Cristo o nascimento!
Oh! não! Foram os pobres e os humildes,
Os simples corações, os gênios simples,
Aqueles que ele amou, que procurava,
E sempre defendeu contra a injustiça,
E a tirania indômita dos grandes!