XXXVII

By Luís Nicolau Fagundes Varela

Prostremo-nos! — bradaram, e adoremos

Do Rei dos reis o sacrossanto Filho!

Louvemos o Senhor que nossa vida

Encheu de glórias, e espancou as sombras

Dos erros infernais que nos cercavam!

Glória ao único Deus, onipotente!

E abrem os cofres recheados de ouro,

Que aos pés colocam da criança augusta.

Derramam das navetas primorosas

Sobre o fogo vivaz o incenso e a mirra;

Lançam por terra os mantos e os adornos,

Curvam-se e adoram cheios de humildade

O filho de Maria. Os pegureiros

E os rudes camponeses que cercavam

A negra estala do divino Infante,

Como se a voz de Deus soasse perto,

Ajoelham-se trêmulos e entoam

Religiosos cantos — Ah! não foram

Os sátrapas das cortes do Oriente,

Cobertos de veludo e finas sedas,

Nem do Ocidente os príncipes soberbos

Seguidos de pomposa comitiva,

Os que desceram de seus áureos paços,

E saudaram de Cristo o nascimento!

Oh! não! Foram os pobres e os humildes,

Os simples corações, os gênios simples,

Aqueles que ele amou, que procurava,

E sempre defendeu contra a injustiça,

E a tirania indômita dos grandes!