XXXVIII

By Cláudio Manuel da Costa

Quando, formosa Nise, dividido

De teus olhos estou nesta distância,

Pinta a saudade, à força de minha ânsia,

Toda a memória do prazer perdido.

Lamenta o pensamento amortecido

A tua ingrata, pérfida inconstância;

E quanto observa, é só a vil jactância

Do fado, que os troféus tem conseguido.

Aonde a dita está? aonde o gosto?

Onde o contentamento? onde a alegria,

Que fecundava esse teu lindo rosto?

Tudo deixei, ó Nise, aquele dia,

Em que deixando tudo, o meu desgosto

Somente me seguiu por companhia.