XXXVIII

By Luís Nicolau Fagundes Varela

Mas o tempo voraz que não descansa,

Que embala os berços, que os sepulcros abre

Em um relance d’olhos, implacável

Seu giro continua. Aconselhados

Por celeste visão, voltam os Magos

Às regiões natais, menosprezando

O astuto aviso e o pérfido conselho

Do tenebroso Herodes, que esbraveja

Vendo-se deste modo postergado.

Para o Deus criador, justo, infinito,

Não existe passado nem futuro:

Tudo é — hoje, hoje sempre. — A eternidade

Forma o dia divino, mas o dia

Que não teve alvorada e não tem noite.

Era chegado o Salvador, — o Verbo,

A fecunda e suprema Inteligência,

A verdadeira luz: — de novo o mundo

Ia sair das trevas que o cercavam.

O santo mensageiro se apresenta

Novamente a José: — Toma a criança,

Ampara a virgem mãe, busca o caminho

Do hospitaleiro Egito; os dias negros

Do malfazejo Herodes são contados.

Quando a terra cobrir seus frios ossos.

Voltarás ao país de teus maiores;

Parte. — E dizendo assim, volta de novo

Aos paços do Senhor, d’onde baixara.