Zombando da morte

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Nuvens... flocos de linho... escumilha... fumaça...

No alto do Cambirela há nuvens cor de lodo,

É o pampeiro que desce e bruscamente passa

Bramindo, em convulsões... Esse pampeiro é um rodo:

Leva diante de si, como uma enorme massa,

O mar que eriça o colo e espuma e cospe e todo

O espaço faz tremer. E aonde está a barcaça?

Levou-a o vento sul, como o melhor engodo.

E lá vai a barcaça, aos trancos, emborcada...

Corre à mercê do mar, no Pontal da Enseada,

Nas ondas que se vão, em derrota, do norte.

Mas não há que temer do quadro extraordinário:

A barcaça parece um grande dromedário

Eu cujo dorso o André zomba da própria morte!